27 de dez de 2011

Como saber se você seria um bom professor?

Não há limites para o ser humano a não serem aqueles que ele os coloque para si mesmo. Nem todos os limites são conscientes. Muitos até pensam ou acham que vão conseguir superar, mas não têm empenho, disciplina, conhecimentos suficientes, foco, visão, assertividade, constância, comprometimento, eficácia - e acabam não conseguindo. Depois, argumentam-se para si mesmos dizendo que fizeram tudo o que podiam e deviam. Melhor seria impossível fazer.
Está claro que algumas profissões exigem mais algumas especificidades que são essenciais que para outras não seriam.

Segundo Malcolm Gladwell, no seu livro Fora de Série, qualquer pessoa que pratique por 10.000 horas qualquer atividade, torna-se excepcional nela. Uma média de 3 horas ao dia por 10 anos. Qualquer pessoa que praticasse ministrar 6 aulas por dia, em 5 anos seria uma excelente professora. Os Beatles tinham mais de 10.000 horas tocadas em shows e baladas antes de atingir o sucesso mundial.

Mas por que encontramos alguns professores com mais de 10 anos de atividade, às vezes até 30 anos, cujas aulas são medíocres?
Provavelmente uma das principais causas seria: ministrou todas as aulas, uma igual a outra, sem tirar nem pôr, sem interesse em melhorar, atualizar ou adequar aos variados públicos. É como se usasse a mesma ficha amarelada pelo tempo de uso ou uma mente que marcou passo no que decorou quando estudante. Não deu um passo além. Reduziu sua Performance a Zero.

Pensemos somente no prejuízo que tal professor provocou em 30 anos nos seus alunos. Se for de matemática então, quem sabe interferiu nas escolhas das carreiras dos seus alunos a profissões que não usasse matemática...
Qualquer pessoa pode ser um bom professor se, antes mesmo de escolher esta carreira:

 (1) já gostasse de lidar com diferentes tipos de pessoas;
 (2) tivesse a alegria de ensinar;
 (3) sentisse prazer em aprender o que não soubesse e em ensinar o que soubesse para quem quisesse aprender;
 (4) adorasse novidades;
 (5) buscasse sempre conhecer mais sobre algum tema que lhe interessasse;
 (6) não se incomodasse em ler nas mais variadas fontes;
 (7) participasse com facilidade de atividades com grupos ou individuais;
 (8) tivesse paciência para ouvir várias vezes a mesma história de diferentes pessoas;
 (9) não se irritasse em ser questionada;
 (9) fosse adaptável a diversas situações de convivência humana;
 (10) estabelecesse bom contato com pessoas de diferentes origens, credos, culturas, níveis sócio-econômicos, idades etc.

 
Mesmo que não tivesse as condições acima relacionadas, nada impede que elas possam ser aprendidas, treinadas e desenvolvidas. O ser humano tem capacidades incríveis que somente se mostram quando estimuladas. Nada existe que após 10.000 horas de prática, não torne o praticante em um expert no tema.
Para o ser humano tudo pode parecer difícil, complicado e impossível de ser feito se nada souber, mas tudo torna-se fácil, realizável e prazeroso quando se aprende. O saber é uma questão de busca pessoal, pois o conhecimento é uma construção individual. Podemos ser bombardeados por informações das mais variadas fontes, porém somente registramos o que conhecemos. O aprendizado é transformar as informações recebidas em conhecimentos.

Um bom professor não nasce pronto. É na prática que ele vai se formando, na paciência que vai se adquirindo, pelas tentativas de buscar melhores soluções que vai descobrindo os melhores caminhos, pois o relacionamento professor-aluno não nasce pronto, mas é construído ao longo de sua existência.



22 de dez de 2011

Desculpe ou desculpe-me?

Por certo você já utilizou expressões como:

Desculpe a insistência.

Como pôde também ter ficado em dúvida se o certo seria:

Desculpe-me pela insistência.

Caso sim ou não, o importante é que a partir de agora iremos fazer uma abordagem acerca do verbo desculpar, com vistas a descobrir se ele pode funcionar como transitivo ou como pronominal. Assim, vejamos.

A forma “desculpe” representa o imperativo afirmativo referente à terceira pessoa (você); e a forma “desculpa” faz referência à segunda pessoa (tu), também do mesmo tempo (imperativo). Dessa forma, discursos assim são perfeitamente aceitos:

Desculpe a insistência.

Desculpa a insistência.

Percebe-se que em ambos os casos o verbo “desculpar” se classifica como transitivo direto, haja vista que quando fazemos a pergunta ao verbo temos: desculpa o quê? Daí, tem-se o complemento.

Contudo, tal verbo pode também ser usado na forma pronominal, bastando para isso que uma preposição o acompanhe. Desse modo, temos:

Desculpe-me pela demora.

Desculpe pela insistência.

Desculpem-nos pelos transtornos (como também poderia ser usado como transitivo – desculpem os transtornos)

A conclusão a que chegamos é que o verbo em questão tanto pode ser usado na forma transitiva como na forma pronominal.


15 de dez de 2011

Comissão da Câmara aprova prazo para professor da educação básica fazer curso superior

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou na terça-feira (13) proposta que dá prazo de seis anos para os professores da educação básica com a formação em nível médio, na modalidade normal, para a conclusão de curso de licenciatura de graduação plena. Esse prazo, contado da posse em cargo docente da rede pública de ensino, não se aplicará a professores com formação em ensino médio de modalidade normal que trabalhem em creches, na pré-escola e nos anos iniciais do ensino fundamental. A matéria, que tramita em regime de prioridade, agora será examinada pelo plenário.

A proposta é um substitutivo do Senado ao Projeto de Lei 5395/09, do Executivo, que já havia sido aprovado pela Câmara e foi alterado pelos senadores. O substitutivo foi aprovado pela comissão com alterações.
O relator, deputado José Mentor (PT-SP), apresentou parecer pela constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa do substitutivo do Senado e das subemendas da Comissão de Educação e Cultura.

Sem punição

A proposta previa a inabilitação dos professores que não cumprissem o prazo. Entretanto, a comissão de Educação retirou a punição. Segundo a relatora naquela comissão, deputada Fátima Bezerra (PT-RN), não há como inabilitar professores aprovados em concurso e trabalhando em etapa adequada para sua formação. Ou seja, o prazo permanece, mas não há punição se não for cumprido.

Conforme a proposta, será garantida a formação continuada a esses professores, no local de trabalho ou em instituições de educação básica e superior, incluindo cursos de educação profissional, cursos superiores de graduação plena ou tecnológicos e de pós-graduação.

A proposta aprovada prevê também que o Ministério da Educação estabelecerá nota mínima no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como pré-requisito para o ingresso em curso de formação de professores.

Incentivo

União, estados e municípios deverão, de acordo com o texto, adotar mecanismos para facilitar o acesso e a permanência dos professores da educação básica pública nos cursos superiores. Um dos incentivos será a criação de programa institucional de bolsa de iniciação à docência a estudantes matriculados em cursos de licenciatura e graduação plena nas instituições de educação superior.

O texto aprovado também prevê a realização de recenseamento anual de crianças e adolescentes em idade escolar, assim como de jovens e adultos que não concluíram a educação básica. A pesquisa prevista na lei era restrita para pessoas em idade escolar para o ensino fundamental, dos 5 aos 17 anos.

A proposta adapta diversos pontos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9.394/96) às exigências estabelecidas pela Emenda Constitucional 59, de 2009, que exige o ensino obrigatório e gratuito dos 4 aos 17 anos. Antes, o ensino obrigatório era dos 6 aos 14 anos.

Proposta original

O projeto enviado pelo Executivo continha originalmente duas disposições básicas. Propunha a alteração da LDB para exigir a formação em nível superior para a docência em todo o ensino fundamental e no ensino médio, admitindo a formação em nível médio, na modalidade normal, apenas para o magistério na educação infantil. O texto não previa incentivos nem prazo para conclusão em curso superior. Além disso, o texto original já estabelecia nota mínima do Enem como pré-requisito para o ingresso em curso de formação de docentes.








14 de dez de 2011

Diminui participação do governo federal nos gastos públicos em educação

Nos últimos 15 anos, diminuiu a participação do governo federal no gasto público em educação. Em 1995, a União era responsável por 23,8% dos investimentos na área, patamar que caiu para 19,7% em 2009. Já os municípios ampliaram a sua participação no financiamento de 27,9% para 39,1% no mesmo período. As informações fazem parte de um relatório sobre o tema divulgado nesta quarta-feia(14) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
A parcela estadual no total de investimento também caiu de 48,3% para 41,2%, considerando o mesmo período. O estudo do Ipea ressalta, entretanto, que os dados não significam que a aplicação de recursos em educação tenha diminuído, já que, em termos absolutos, houve aumento dos investimentos públicos em educação nas três esferas de governo.

De acordo com o documento, a mudança na dinâmica do financiamento, com crescimento dos gastos municipais, é resultado do próprio regime de colaboração que estrutura a oferta educação. Municípios são os responsáveis pelas matrículas de toda a educação infantil e o ensino fundamental, etapas em que houve grande inclusão de alunos nas últimas décadas. Os estados respondem apenas pelas escolas de ensino médio. Por isso a maior conta fica mesmo com as prefeituras.

O relatório destaca que houve uma ampliação real do gasto em educação pelas três esferas de governo entre 1995 e 2009, saindo de R$ 73,5 bilhões para R$ 161,2 bilhões, um crescimento de 119,4% em 15 anos. Também houve aumento dos investimentos na comparação com o Produto Interno Bruto (PIB), passando de 4% para 5% no período. O estudo ressalta, entretanto, que entre 1995 e 2005 não houve elevação dos gastos em educação que se mantiveram em torno de 4% do PIB. A expansão dos recursos se deu, portanto, entre 2006 e 2009.

“Portanto, em 11 anos, a política educacional dos diferentes entes federados elevou sua participação na renda nacional em apenas 1% do PIB. Isto evidencia que o crescimento do gasto durante a maior parte do período apenas acompanhou o crescimento da economia brasileira como um todo”, explica o estudo.

O relatório foi lançado pelo instituto para subsidiar as discussões do Plano Nacional de Educação (PNE) que irá definir uma meta de investimento público na área a ser atingida nos próximos dez anos. O projeto de lei está em tramitação na Câmara dos Deputados. Há divergência entre governo e entidades da sociedade civil sobre o patamar a ser aplicado. A meta definida pelo governo é ampliar o gasto público dos atuais 5% para 7% do PIB, mas entidades da área defendem um índice mais ambicioso de 10%. O Ipea, entretanto, não indica qual seria o investimento mínimo necessário para melhorar a qualidade do ensino e promover a inclusão da população que ainda está fora da escola, como prevê o plano.

“A atual capacidade de financiamento da educação consegue apenas cobrir o valor das necessidades apuradas para manter e possivelmente gerar avanços pequenos no atual nível educacional brasileiro. Este valor é distante daquele indispensável ao financiamento das necessidades para o cenário que representa as melhorias substantivas para educação”, aponta o relatório.

Apesar de não dizer em quanto é preciso ampliar o investimento, o Ipea indica possíveis novas fontes de recursos para a educação. Entre as sugestões estão a criação de novos tributos, a melhoria da gestão das verbas, a destinação dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal para a área e o aumento da participação das três esferas de governo no financiamento público.

Atualmente, 18% da receita de impostos arrecadados pela União são vinculados à educação - o instituto sugere que esse percentual seja ampliado para 20%. Já os municípios são obrigados a aplicar 25% da arrecadação na área, patamar que poderia ser ampliado para 30%. Segundo o Ipea, a mudança criará um adicional de 0,7% do PIB em investimentos na área.

8 de dez de 2011

90% do pimentão brasileiro tem agrotóxico em grande quantidade

O pimentão lidera o ranking dos alimentos com o maior número de amostras contaminadas por agrotóxico. De acordo com os dados do Para (Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos) da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), divulgados nesta quarta-feira (7), mais de 90% das amostras de pimentão analisadas em 2010 apresentaram problemas.

Morango, com 63%, e pepino, com 58%, aparecem na sequência do ranking de produtos irregulares. Segundo a agência, foram detectadas duas irregularidades: teores de resíduos de agrotóxicos acima do permitido e o uso de agrotóxicos não autorizados para estas culturas. 
De todos os legumes, frutas e verduras analisados, 28% estavam insatisfatórios. Deste total, em 24, o que representa 3% dos casos, os problemas estavam relacionados à presença de agrotóxicos não autorizados. Já em 1,7% das amostras foram encontrados resíduos de agrotóxicos em níveis acima dos autorizados. Em 1,9% dos casos, as duas irregularidades foram encontradas simultaneamente na mesma amostra.
A alface e a cenoura também apresentaram elevados índices de contaminação. Em 55% das amostras de alface foram encontradas irregularidades. Já na cenoura, o índice foi de 50%.
Na beterraba, abacaxi, couve e no mamão foram verificadas irregularidades em cerca de 30% das amostras analisadas.

O único alimento que apresentou resultados satisfatórios foi a batata. No primeiro ano de monitoramento do programa, em 2002, 22,2% das amostras de batata coletadas apresentavam irregularidades, mas agora 100% dos produtos analisados foram aprovados.

De acordo com Agenor Álvares, diretor da Anvisa, os dados são preocupantes.

– A ingestão cotidiana desses agrotóxicos pode contribuir para o surgimento de doenças crônicas não transmissíveis, como a desregulação endócrina e o câncer.





4 de dez de 2011

Compreendendo o Construtivismo no espaço escolar

Por Elen Cristine

O construtivismo considerado como uma teoria que por certo tempo foi adotado por várias escolas e em algumas até os dias atuais, não pode ser considerado como um simples modismo.

Segundo Sastre, o construtivismo coloca que o verdadeiro conhecimento é adquirido através de uma elaboração, ou seja, uma construção de forma pessoal proveniente do desenvolvimento do pensamento atribuído a um significado, sendo relacionado e organizado com pensamentos anteriores.
O aprendizado adquirido através do construtivismo é tido como o mais semelhante a uma aventura intelectual. O modelo construtivista está centrado na produção do saber pelo aluno, sendo esses colocados à prova para modificá-los ou construir de forma inovadora.

O aluno ensaia, busca, propõe soluções, confronta-as com as de seus colegas, defende-as e as discute.
Sendo assim, vale ressaltar que ao optar pelo método construtivista no espaço escolar é necessário que o aluno inicialmente tenha uma espécie de guia, ou seja, um orientador educacional consciente da importância de respeitar o limite do aluno, evitando antecipar resultados e respostas, considerando que a criança apresenta potencial para realizar de forma coerente.

Tal conduta se faz necessária em virtude do construtivismo ter sido aplicado nas instituições escolares de forma vaga, sem um objetivo concreto a conquistar, resultando em situações nas quais os alunos eram expostos a atividades de forma solta, principalmente sem a orientação pedagógica, resultando muitas vezes no fracasso da evolução dos processos construtivos relacionados a novos aprendizados.